Zebra

Seu corpo preto junto ao branco meu
Abraçados preenchendo todos os espaços
Que você explora

Seu braço em minhas costas
Suas pernas sobre as minhas
Desenhando, em nossas peles, linhas

Fizemos do nosso abraço, animal
Da nossa cama, savana
Agora me doma, vai... Me doma!

Gaivota

A gaivota é boa pescadora
Porque mergulha de cabeça
No mar

Quem tem medo de amar
Vive sempre à mercê
Como se não aprendesse a viver

Quem tem medo das derrotas
Não vive conquistas
Como se não aprendesse a ser gaivota

Como o galopar dos cavalos

Talvez você não tenha se dado conta
Da perfeccionista geometria
Ao entrelaçar nossas mãos

Da harmonia musical
De nossos diafragmas
Abraçados, em respiração

Do brilho natural de seus olhos
Do brilho não natural dos meus
Quando lhe tenho e quando não

Talvez você não tenha se dado conta
De que seu sorriso é enigma
Que torna qualquer são, histrião

De que sua pele é gota de tinta
Negra e junto a minha é dégradé
Tom sobre tom em detalhada combinação

De que percorremos juntos a trilha
Fazendo do trote, o ligeiro
Para alcançar a paixão

Eu não te amo

Minha mãe me dizia
Há muito tempo
Que ninguém consegue mandar no coração

Somente agora
Percebi que nesse tempo todo
Ela tinha razão

Se houvesse como
E pudesse escolher
Escolheria você

Sem medo de engano
Mas, infelizmente
Eu não te amo

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