Nossa música

Podem mudar o lado do disco
Ou até mesmo trocá-lo.

Não é à toa quando eu insisto
Que nem todas as danças são lado a lado.

Mesmo depois de todos esses anos,
Você ainda me faz dançar

Porque mesmo depois de todos os abandonos
A nossa música nunca parou de tocar.

Marcas

Ainda tem um pouco do cheiro do seu cabelo
No meu travesseiro.

Ainda tem um pouco do sabor do seu beijo
Nos meus lábios.

Você esqueceu de ir embora do meu peito,
Esqueceu de ficar ao meu lado.

Ainda tem um pouco do seu sexo
Na minha cama.

Ainda falta um pouco de nexo
Quando você diz que não me ama.

Você esqueceu de ir embora do meu peito,
Esqueceu de ficar em meu leito.

Ainda tem um pouco da sua voz
Sussurrando no meu ouvido.

Ainda tem um pouco de nós
Mesmo quando estou sozinho.

Você esqueceu de ir embora do meu peito
E, para te esquecer, agora não vejo mais jeito.

Poesia num papel molhado de lágrimas em cima de uma mala

Essa poesia aqui

É só para que antes de você partir

Por aí, pelo mundo

Você saiba que eu realmente gostei de você

E que eu fiz de tudo

Pra te dizer isso antes


Nessa poesia aqui

Eu só não vou falar de amantes e amor

Porque rima muito facilmente com dor

Você já é grande o suficiente pra saber

Que rua pela qual você escolheu andar

Vai te levar até o porto, até o mar


Você já é grande o suficiente pra saber

Que o oceano não toca o céu

Que não adianta cobrir seu rosto com véu

Porque o vento sussurra o passado em todas as direções

Essa poesia aqui

É só pra por fim em nossos corações


A felicidade

Felicidade não é uma obrigação
Ou pelo menos não deveria ser

Vejo que você faz qualquer tipo de ação
Esperando estampar um sorriso no rosto

Me dá gosto ver você tentar ser feliz
Assim, tão destemidamente

Um dia eu também quis
A qualquer preço

Mas às vezes a gente mente
Para nós mesmos

Pois eu vou lhe dizer que felicidade
Não é um fardo

Ou um agrado
Que temos que fazer

A felicidade é simplesmente ser
É conseqüência pra quem sabe existir

Não há motivos para insistir no sorriso
Se ele pode estar o tempo todo contigo

Não precisava

Não precisava dizer que era pra sempre
Não precisava dizer a verdade se só mente

Eu nunca pedi mais que o simples
Mais que olhos alegremente tristes

Eu nunca pedi mais que o fácil
Mais que qualquer forma de amor ágil

Não precisava me prometer o céu
Se você não se permite tirar os pés do chão

Não precisava me prometer o mel
Se amargo é o seu coração

Eu nunca pedi que me amasse por inteiro
Pedi apenas que o pouco fosse verdadeiro

Onde germinam as minhas poesias

Há um espaço no jardim
Assim como há em mim
Onde germinam as minhas poesias

Brotam e se esticam ao ar
Por cima de todas as outras flores
Todos os outros amores

Há um espaço no chão
Assim como há em meu coração
Onde germinam as minhas poesias

Se eu pudesse, até lá eu iria
Só para vê-las encontrando o céu na terra
Mas o que se sente, não se enxerga

Luz (O Sol)

Não há com que tanto se preocupar
Depois de toda noite
O Sol sobe o mar

Toda escuridão acaba
Quando, depois de uma partida
Há uma nova chegada

Zebra

Seu corpo preto junto ao branco meu
Abraçados preenchendo todos os espaços
Que você explora

Seu braço em minhas costas
Suas pernas sobre as minhas
Desenhando, em nossas peles, linhas

Fizemos do nosso abraço, animal
Da nossa cama, savana
Agora me doma, vai... Me doma!

Gaivota

A gaivota é boa pescadora
Porque mergulha de cabeça
No mar

Quem tem medo de amar
Vive sempre à mercê
Como se não aprendesse a viver

Quem tem medo das derrotas
Não vive conquistas
Como se não aprendesse a ser gaivota

Como o galopar dos cavalos

Talvez você não tenha se dado conta
Da perfeccionista geometria
Ao entrelaçar nossas mãos

Da harmonia musical
De nossos diafragmas
Abraçados, em respiração

Do brilho natural de seus olhos
Do brilho não natural dos meus
Quando lhe tenho e quando não

Talvez você não tenha se dado conta
De que seu sorriso é enigma
Que torna qualquer são, histrião

De que sua pele é gota de tinta
Negra e junto a minha é dégradé
Tom sobre tom em detalhada combinação

De que percorremos juntos a trilha
Fazendo do trote, o ligeiro
Para alcançar a paixão

Eu não te amo

Minha mãe me dizia
Há muito tempo
Que ninguém consegue mandar no coração

Somente agora
Percebi que nesse tempo todo
Ela tinha razão

Se houvesse como
E pudesse escolher
Escolheria você

Sem medo de engano
Mas, infelizmente
Eu não te amo

De papel

Debaixo da chuva
Minhas lágrimas se confundem
Com as gotas que caem do céu

Águas que lavam e limpam
Fazendo-me lembrar
Que não sou feito de papel

Cale-se!

Cale-se!
Porque agora eu quem vou falar

Todas as suas palavras
Já não possuem mais razão

Se você acha que vou agüentar tudo isso
Fique sabendo que não vou não

Enquanto você diz... Melhor, se contradiz
Me vem uma grande dor de cabeça

Não se esqueça
Que a culpa é toda sua

Agradeça que ainda não esteja na rua
Todos os seus trapos

Eu não sou obrigado
A ouvir essas suas desculpas esfarrapadas

Isso até pode soar como um desabafo
De alguém que te amava

Conjugação verbal perfeita: no passado
Ninguém mandou me trair a troco de nada

Logo eu que sempre te dei tudo
Até mais do que podia

Se eu fosse você, pegaria suas coisas
E iria, de uma vez, embora dessa casa

Porque se não for por bem
Vai ser por mal

Sou capaz de agir de forma anormal
Só pra você sumir

E assumir que nunca me amou de verdade
E também não será agora que vai me amar

Cale-se!
Porque agora eu quem vou ficar

Perecível

Não vou lhe dizer
Que te amarei para sempre
Porque certamente não vou

Te amarei neste agora
No próximo, não sei se estarei aqui
Ou se terei ido embora

Não vou lhe dizer
Que te amarei de janeiro a janeiro
Porque certamente não vou

Te amarei por inteiro
Sendo inteiramente seu
Enquanto durar o nosso amor

Frio (Me aqueça)

Fique aqui comigo
No frio
Me aqueça

Torne meu inverno, verão
Não se esqueça
Que há mais calor em duas mãos

Indecisão

Nem todos os curativos
Cessam as dores

Por nem todas as tempestades
Sobrevivem dois amores

Escolher talvez não seja renunciar
Sofrer talvez seja sinônimo de amar

Na distância entre um sim e um não
Há muita vida

E viver com ou sem você
É a minha maior ferida

Cama de aço

Me dê os seus braços
Os seus abraços
Me amarre feito laço
Que eu faço o nosso amor acontecer

Me dê...
Até o cansaço

A única flor que brotou na estrada de chão

Ela olha ao redor
E sem encantos
Não vê, em si, beleza

Se talvez estivesse
Nascido em qualquer outro canto
Nada, nada teria acontecido

A única flor
Que brotou na estrada de chão
Não sabe que é bela

Mas sabe que é ela
Sabe que ela
Conquistou meu coração

Quando anoitecer

Quando anoitecer
Eu já não estarei mais na sua cama
Para ouvir as suas histórias de dormir
Suas canções de ninar

Quando anoitecer
Eu já não vou mais acreditar
Na sua voz que tão veloz me fez amar
Tão veloz me fez sofrer

Quando anoitecer...


Dinossauro

Me perseguiu
Agarrou
Rasgou
Devorou
E depois sumiu

Seu corpo
Deixou o meu morto
De saudades
Tanto que eu ainda sinto
O nosso amor extinto

Pérola negra

Revele o seu corpo
Todo pintado à mão

Sem esboço
Cor de carvão

Que eu tanto gosto
Que eu tanto gosto

Revele o seu corpo
Aonde o meu esteja

Saia da concha
Pérola negra

Que eu tanto gosto
Que eu tanto gosto

Esconderijos

Eu queria que você soubesse
Pela minha boca
Que eu não te amo mais

Eu até poderia fazer um cartaz
Ou deixar que te contassem por aí...
Mas não

O meu coração
Infelizmente
Já não é mais o mesmo

O seu coração
Infelizmente
Já não é mais o meu desejo

E por mais que, neste momento, eu ria
É puro nervosismo...
Não sei contar mentiras

Cacos

Os pedaços
Do vidro quebrado
Os cacos
Estão todos no chão

As lembranças
De uma dança
As esperanças
Estão todas no chão

...

Despedaçado coração

Destino

Embora não acredite em destinos
Você transformou, tantas vezes
Pesadelos em sonhos
Que eu até suponho
Ter nascido para ser somente seu

Rimas pobres ricas

Não tenha medo
De rimar amor com dor
Ou com o or que for

Tenha medo, sim
De não ter amor pra rimar
De não ter amor pra amar

Só ria

Sorrir é arte
É abrir as cortinas
Mostrar os artistas brancos
Outros, nem tanto

Sorrir é preciso
Necessita-se de sorrisos
Só risos
Para fazer disso, um vício

O espetáculo nunca deveria acabar
As cortinas nunca deveriam se fechar
A alma deveria ser sempre nua
Sorrir deveria ser uma doença sem cura

Até que mele

Olhos dilatados
Pele à flor da pele
Me pegue
Me puxe para o seu lado
E não deixe que eu fuja

Língua nos lábios
Sue até que mele
Me pegue
Me jogue para os lados
E não deixe que isso suma

O importante foi competir

Eu, que fui acostumado a ganhar
Aprendi a perder na marra

Aprendi a perder um pouco de alma
A cada hora que havia de sofrer

Eu, que fui acostumado a ganhar
Aprendi a perder perdendo você

Ficou pelo caminho

Eu voltei, cuidadosamente
Pelo mesmo caminho
Que me fez chegar até aqui

Pensei
Repensei
E não sei como te perdi

Meias

Meias verdades
Meias vontades
Meias saudades

Viver pela metade é ilusão
Tire suas meias
Ponha o pé no chão

Porta-retrato

Aqui na cabeceira ao lado
Há um porta-retrato
Que retrata o nosso passado

O retrato velho
Mostra um eu e você
Que, também, em meu coração está guardado

Quando não se puder ver nada na fotografia
De tanto tempo que passará
Estaremos seguros aqui dentro, em minha nostalgia

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