Flor à Iemanjá

Os meus pés não sentem mais o chão
Já não afundam como antes
Apenas sigo adiante ao fundo
Embalado pelo ritmo de sua canção


A melodia do azul das ondas
Quando se confunde com o bege
Gritando em brancas espumas
Faz com que eu, por hora, suma


E o maestro que rege
Esta orquestra dessincronizada
Já não habita aqui há tempos...
Tudo, então, como queiram os ventos


Nessa confusão de cores e sons
O mar invade cada vez mais o meu corpo
Por dentro e por fora...
E assim deixo


Deixo porque agora
Descobri que somente sendo
Inteiramente seu
Sou inteiramente meu


Eclipse

O brilho dos meus olhos
Foi tomado por uma escuridão

Não há mais amor no meu olhar
Porque não há mais amor no meu coração

Roseiral

Ela andava por entre o roseiral
Retirando todas as flores
Que a espetavam

Até que todas as pequenas dores
Que a incomodavam
Tiveram fim

Ela arrancou todas as roseiras pela raiz
E o que restou foi terra seca
Garganta seca de tanto chorar por uma grande dor

Ela não sabia que o roseiral era o amor

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