Boca

Sua boca é desenho detalhado:
Traços cuidadosos e grosseiros intercalados

Antíteses que se unem perfeitamente em seu lábio
E ali mesmo me perco, calado

Sua boca é cama aconchegante
Numa tarde fria para dois amantes

É convite ao mais prazeroso pecado
Irrecusável, de fato

Sua boca é vadia
Vagueia pelos becos como mulher da vida

Porque apesar de tudo, é incompleta
E só é inteira junto à minha

Quase um só

Eu e você
Juntos
Quase um só
Como nó
Que não se desata
Nada no meio
Além do desejo

Eu e você
Juntos
Almas gêmeas
Algemas

Corrente

Embora os ponteiros
Inúmeras vezes, tenham girado
Do relógio, que falo
Aqui dentro há um mundo estático

Há uma saudade dolorosa
Uma nostalgia lenta
Vagarosa
E, vagarosamente, mente

Distorce o tempo
Me prende ao passado
Faz com que não siga em frente...
Minha saudade é corrente

Não foi amor

Não foi amor
Foram apenas dois corpos suados
Abraçados
Beijos molhados
Sussurros ao pé do ouvido
Gemidos
Encontros marcados

Não foi amor
Foram apenas poucas noites estreladas
Mãos dadas
Brincadeiras displicentes
Desejos inconseqüentes
Gritos
Verdades que mentem

Não foi amor
Foi apenas um fogo
Que cedo se apagou

Os amores são como pássaros

Os amores tomam seus próprios caminhos
São como pássaros: livres
Não há gaiola que os prenda
Não há como mantê-los em um só ninho

Pássaros que cedo aprendem a voar
Por si mesmos
Vão longe pelo ar
E me deixam apenas os desejos

Desejo de te ver
De tocar
De você
Desejo de não te ver mais voar

Sei que vai
Pois os amores são como pássaros: livres
Sendo assim, sei que este amor é impossível...
Impossível de se apagar em mim

...

Se puder, volte a este ninho de vez em quando
Ao meu encontro...
...

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