(In)fidelidade

Não te acorrentei
Porque havia confiança
E, feito criança, por muito tempo pensei
Que você era (somente) meu

Eu, que agora sei que você mente
Deixo afundar meu amor em prantos
E, simplesmente, fico estático
Perdendo o encanto

No fim das contas
Por mais que a dor maior tenha sido minha
Eu ganhei e você perdeu
Eu ganhei o descanso de fazer, em vão, feliz a sua vida

a.mor \ô\ s.m.

O amor é uma via
Que, por hora, bifurca
Seguindo o mesmo sentido
Paralelamente
E se junta

Depois, novamente, separa
E volta...
E vai...
E volta...
Até que pára

Mas aí já não há amor
Não há sem separação
Porque o amor é uma via
Que, por hora, bifurca
Embora não bifurque o coração

Castanho e castanheiras

Entre tantas castanheiras
Verdes, alguns musgos
O seu cabelo balançava
Marrom junto aos uivos
Dançava no mesmo ritmo das folhas
E de outras coisas

Você ficou ali por muito tempo
Caminhando com um andar lento
Até sumir por entre o verde...
E para mim restou apenas ver-te

O vento

Está ventando muito aqui agora
Chega a me incomodar
Mas não vou embora
Deixo o vento você, de mim, levar

E por isto todo esse barulho:
Gritos que deveriam ser sussurros...
Mas tudo bem, uma hora vai cessar

A cama de ondas

Sob cobertores e contos
Ao som de Strokes no canto
Nosso entrelaçar tem sabor de nós dois

Confundir suas pernas com suas mãos
Vice-versa, em versos
Escuto não só o meu, mas o seu coração

E esse estado de não-estar
Em mim, digo, e sim em você
É como a sensação de... Sei lá
Talvez de como pela primeira vez ver o mar

E, assim, navego em nós
Não seguro, eu sei
Mas trancamos a porta
Então... Quem se importa?

Um verbo para superar

Eu poderia
Gritar
Chorar
Berrar
Derramar
Ajoelhar
Implorar...
...

Mas não

O ar me falta
E se quer saber
Eu quero ir
Sendo assim
Vou sorrir


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