Ampulheta

O tempo para:
Por areias verticais separados
Um de cada lado somos
Dunas de cronologia
Desertos desertados
Pela pausa, tal desatina

Quando o amor não derruba todas as barreiras

Para no inverno nos mantermos quentes

Talvez o fogo aqui dentro não seja suficiente


E por mais que fechemos as janelas

Continua ventando frio lá fora


Nem tudo o que imaginamos, de fato, era...

Suponho que um de nós tenha que ir embora


Daqui não consigo seguir adiante

Porque descobri que te amar não é o bastante


Bobagem (Não adianta...)

Você vira o rosto pra vida

Esconde-se sob o cobertor antes de dormir

Sabendo que o escuro está, também, à luz do dia


Não adianta negar o passado

Correr do presente

Adiar o futuro


Não queira parar o mundo

Os ponteiros do relógio...

Eles não param para que você tenha coragem


Vai, deixa de bobagem


O medo de Mariana

Mariana tem medo como toda criança

Como toda criança que no balanço balança


Mariana tem medo e nunca quis

Que o seu medo fosse o de ser feliz


Mariana tem medo, mas não é menina

O medo de Mariana é de mulher que ama


Diga-me o que é amor e lhe direi o que é sofrer

Nas mãos dadas sempre há um mistério

Seja fidelidade ou adultério


Guardo na memória fatos

Imersos em pensamentos


Guardo numa caixa fotos

Desbotadas entre dores


O segredo não é encontrar o amor da sua vida

Mas sim, uma vida de amores


Suicídio 3

Em algum instante abriu-se um vazio

Aqui, dentro de mim


E foi correndo por meu sangue

Tirando, além de meu corpo, meu indolor fim


Pois antes tivesse acabado logo em esquife

Ou jogado entre lamas, num mangue


Mas não; em tom de marfim estatizou-se meu rosto

Recebendo as lágrimas de um pungente desgosto


Então aos prantos fui deixando-me sangrar

Por dentro, é verdade, mas o suficiente para me matar


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...