Verdecer

Cor de relva entre estações

Do verão ao outono

Os pigmentos antes em sono

Assumem formas poéticas de Camões


O arco-íris cede sua quarta cor

E colore toda sua íris

Formando luas gêmeas

Verdades verdes e sêmeas...


Eram os seus olhos


Aves, flores e borboletas

Já deixei isso aqui muito escuro

Está na hora de alguma luz

Não há mais pássaros cantarolando no muro

Nem aquela flor que me seduz


Já deixei essa grama muito seca

Está na hora de alguma água

Talvez por isso se foram aves e borboletas

E as flores não são flores, são nada


Já abri a cortina e reguei o jardim

Talvez disso precisasse minha vida

Talvez isso seja o melhor para mim...

Agora espero as primeiras aves, flores e borboletas


E agora?

Sinceramente

Em minha opinião

O que não faz bem para um poeta

É a paixão


Falo sério

Não é brincadeira

Quando ama só faz poesia

Para a pessoa com quem se deita


Não há sequer outra inspiração

Os versos são clichês

Aquela coisa, sabe:

“Eu amo muito você!”


Ah, faça-me o favor!

Quem diz que o amor

Inspira um poeta

Só pode estar de gozação...


Mas parando para pensar...

Neste momento não me recordo

De nenhuma sensação mais agradável

Do que a de amar


E agora?


Prosopopéia

Onze anos de idade

Menino no centro

Da cidade onde havia ela

Pálida e outros byronismos


Súbito beijo a deu

Foi a primeira saliva

Trocada de sua vida

Rala às oito bem cedo

Ralam lábios no concreto

Exata hora de alegrar

Verde em volta: canteiro


O muito escapou pelo nariz

Era água da estátua chafariz


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