À flor da pele

Tomou-se de ódio
Nem mais um pio
Só mais um ópio

180º

Eu quero ver o mundo de outro ângulo
Que cachoeiras subissem e
Fogos de artifício descessem
Eu quero outro artifício
Outros vícios que não sejam o de sempre

Eu quero um capuchino à tarde
Cantar um hino que não seja Brasil
Ler outra manchete que não seja Brasília
Morar numa ilha, revirar meu baú
Eu quero outra música que não seja Raul

Eu quero ver o mundo de outro ângulo
Cansei do samba; dê-me um tango

Moça de praia

Olha lá aquela moça
Que vem com um rebolar

Olha lá aquela moça
No sol a bronzear

Olha lá aquela moça
Indo embora deste lugar

Olha lá aquele moço
Sentado na areia, a espera voltar

Amanhecer da cidade

Há um silêncio gelado na alameda
Tudo o que se ouvia era o bater dos sapatos
No concreto da calçada branca de noite nevada

Mas sei que logo virão as buzinas e os sinos
Logo virão os ruídos e as sinas
Sei que logo virá o dia

Haverá um grito gelado na alameda
E ainda no frio que seja
A cidade acorda com o brado que boceja

Homo burrus

Mãe mata filha
Filho mata pai
Vamos todos para a guilhotina
E o amor? Para onde vai?

Adolescente enforcada com lenço
Idosa refém
Não assaltaram o bom senso
Vivemos num mundo sem

Caça predatória
Árvores derrubadas
Existe escapatória?
As mãos estão dadas?

Criança em abandono
Violência nas margens
Quem é esse ser que se diz humano?
Quem é esse homo que se diz sapiens?

A riqueza maior

Libertam pétalas
Ostras, pérolas

Flores em primavera
É riqueza maior
Que riqueza que brilha:
É momento, é vida

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