Rosinha e seus balangandãs

Rosinha e seus balangandãs
Balangandava suas coisinhas
Passando na rua todo dia

Rosinha e seus balangandãs
Balangandava e vendia
Suas coisinhas em cada esquina

Rosinha e seus balangandãs
Balangandando e ambulando
Deve balangandar por toda vida

O lago

Deste azul que passa
Neste lago imenso
Por pedras rasas
Corre por todo sendo
Meu amor águas fundas
Fundo tanto que inunda
O lago e sente:
Águas estas sempre
Estarão ao teu lado

Entre os dedos

Com minha palma
Pego areia da areia da praia
Deixo escapar entre os dedos
Como uma cachoeira cai no rio
As águas voltam ao seu leito
Na vida tudo volta de algum jeito

A certeza de Mariana

Às vezes as palavras
Abandonam o poeta

O lápis na ponta dos dedos
Tremem sedentos sabendo
Que nunca se escreve em linhas retas

Às vezes as palavras
Abandonam o poeta

E mesmo sem as letras no papel
A inspiração há de sempre haver
Numa entrelinha secreta

O canto do sabiá (O sabiá de Irapujá)

Sabes que o sabiá sábio sabido
Sabia dos sinos e sinais
Sinais e sinos sinuosos

Cantava no canto
E encantava tantos com
Seu canto a encantar

Em Irapujá ia indo à igreja
Itu e Itaiá iam à idem igreja de lá
Iam índios Itus e índias Itaiás escutar

Sabem que o sabiá sábio sabido
Cantava de domingo aos mingos
Nos sinos da Oca Nossa Senhora de Irapujá

A casa, a palmeira e a chuva

Aqui chove muito
A casa amarela deixa de sê-la
Gotas d’água tiram dela
A pele cor sol que a coberta

Aqui chove muito
A palmeira dança
Com cabelos verdes ao vento
Alguns fios caem com água tanta

Aqui chove muito
Eu vejo a casa e a palmeira
O que significa para mim eu não sei
Mas a imagem ainda está na minha cabeça

Aqui (ainda) chove muito

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