O cachorro da minha rua

O cachorro da minha rua
Tinha um ar de tristeza
E os olhos cor da uva
De chorar tanto ficou seca

O cachorro da minha rua
Ali sentado todo dia estava
Esperando-me com esperança muda
E latia quando eu passava

O cachorro da minha rua
Era um vira-lata apaixonado
Que ladrava com sua feiúra
Entre calçadas e cabisbaixo

O cachorro da minha rua
Amava-me que eu sei
Dormia sozinho embaixo da lua
Sonhando que voltei

O cachorro da minha rua
De me ver tinha sede
E quando saciava tal vontade sua
Eu descobria que era ele

O cachorro da minha rua
Sou eu ao certo
E lhe digo de uma forma nua:
Você é quem escreve estes versos

Mofo

Negro

Abro a janela

Sol
Luz
Cores

Fecho a janela

Vida

História de um lugarejo

Sente a neblina escura que está aqui.
Nesse lugarejo não existe nada além
da brancura acinzentada que vem dali.

Veja as flores murchas,
as árvores com rachaduras
e a grama seca e dura.

Escute a canção do pássaro negro,
do corvo que avisa com assobios
que está longe o seu desejo.

Sente a neblina.
Veja as flores.
Escute a canção.

É a sua última chance.

O lugarejo vai ganhar vida.
Já já começa a chover tinta.
A nuvem-aquarela está vindo.

Agora me dê um sorriso.
Nos dê um sorriso.
Nosso lugarejo, então, é lindo.

Unhas

Enquanto tudo passa lá fora
eu continuo aqui roendo minhas unhas
e me perguntando a todo tempo:
que diferença faria se as roesse do lado de lá, agora?

A poesia é uma escultura

Nesta poesia não vai estar escrito
O que o poeta quis escrever.
Vai estar escrito o que você quiser.

Escreva de trás pra frente,
De frente pra trás, tanto faz.

Só não tente palavras cuspir.
O verso você tem que esculpir.

Cigana

Ela não tem espaço.
Vive de quadrado em quadrado.
E com uma dança ou um compasso
Gira em torno de sua estrada.

A cigana com rendas vermelhas
Pensa que é garota de fantasia.
A cigana com suingue passista
Pensa que o carnaval é todo dia.

O todo dia é sua estrada;
É seu compasso e sua dança.
É o dormir de barraca em barraco;
É o suor na face branca.

A cigana com jeito menina
Pisa na terra e levanta vida.
Sabe que sorrir felicidade de cigana
Muda o mundo e não se engana.

Você

Eu descobri que minhas poesias podem ter inspiração
Eu senti que meu dia passa nada em vão
Eu sei que posso ser mais eu sendo seu
Eu vi que no negro do meu fechar de olhos há uma luz
E eu pude perceber que essa luz é você.

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